Fidelity lança sua primeira stablecoin e aposta no “dólar digital” para acelerar adoção institucional

Gigante global de investimentos estreia no mercado de stablecoins com o Fidelity Digital Dollar (FIDD), mirando eficiência financeira e uso direto em blockchain.

A Fidelity Investments, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, anunciou oficialmente o lançamento de sua primeira stablecoin: o Fidelity Digital Dollar (FIDD). A novidade marca a entrada direta da instituição no universo dos dólares tokenizados e reforça o movimento dos grandes players tradicionais rumo ao ecossistema cripto.

O ativo será emitido pela Fidelity Digital Assets, National Association, subsidiária do grupo voltada exclusivamente a ativos digitais, e deve ficar disponível para investidores de varejo e institucionais nas próximas semanas.

Na prática, o FIDD nasce com uma proposta simples: funcionar como um dólar digital estável, lastreado na moeda americana na proporção de 1 para 1, combinando a previsibilidade do dinheiro tradicional com a agilidade da tecnologia blockchain.

“Na Fidelity, acreditamos há muito tempo no poder transformador do ecossistema de ativos digitais e passamos anos pesquisando e defendendo os benefícios das stablecoins”, afirmou Mike O’Reilly, presidente da Fidelity Digital Assets. “Como uma gestora líder e pioneira em ativos digitais, estamos em uma posição única para oferecer utilidade on-chain por meio de um dólar digital.”

O que é o Fidelity Digital Dollar (FIDD)

O FIDD é uma stablecoin atrelada ao dólar americano, o que significa que cada token pode ser resgatado por US$ 1 diretamente pela Fidelity, desde que o cliente seja elegível. Além disso, a moeda também poderá ser negociada em exchanges onde estiver listada e transferida livremente para qualquer endereço da rede Ethereum.

A gestão das reservas ficará sob responsabilidade da Fidelity Management & Research Company, braço tradicional de administração de ativos do grupo. Já a emissão das moedas e o controle da oferta circulante serão conduzidos pela Fidelity Digital Assets.

Todos os dados sobre supply e valor líquido das reservas serão divulgados diariamente no site oficial da empresa, trazendo um nível de transparência que se tornou essencial nesse mercado.

Em termos práticos, é como se a Fidelity estivesse criando uma versão digital do dólar, com a vantagem de circular em blockchain, permitindo transferências quase instantâneas, liquidação direta entre partes e integração com aplicações descentralizadas.

Compra, resgate e infraestrutura institucional

Os clientes poderão comprar ou resgatar FIDD pelo valor fixo de US$ 1 em plataformas como Fidelity Digital Assets, Fidelity Crypto e Fidelity Crypto for Wealth Managers. A stablecoin também estará disponível em grandes exchanges, ampliando o acesso ao público.

Segundo a empresa, todo o sistema opera sob padrões institucionais de segurança, apoiado em mais de uma década de pesquisa e desenvolvimento no setor de ativos digitais.

O modelo adotado é chamado internamente de “full-service stablecoin”, já que envolve desde a gestão das reservas até os canais de compra, custódia e negociação, tudo dentro do próprio ecossistema Fidelity.

Um movimento alinhado ao novo cenário regulatório

O lançamento acontece em um momento estratégico. O mercado global de stablecoins já ultrapassa US$ 316 bilhões em capitalização, e os Estados Unidos avançaram recentemente em um marco regulatório específico para esse tipo de ativo, com a aprovação do chamado GENIUS Act.

Para O’Reilly, esse foi um divisor de águas.

“A aprovação do GENIUS Act trouxe regras claras para stablecoins de pagamento. Estamos empolgados em lançar um ativo lastreado em moeda fiduciária justamente agora, quando há mais clareza regulatória, para apoiar melhor nossos clientes, ampliar as opções do mercado e ajudar a construir um sistema financeiro mais eficiente.”

A Fidelity se junta, assim, a um grupo ainda pequeno de instituições financeiras tradicionais que decidiram emitir seu próprio dólar digital, um sinal claro de que as stablecoins deixaram de ser um experimento exclusivo do universo cripto.

Fidelity e ativos digitais: uma construção de mais de uma década

Embora o FIDD seja sua primeira stablecoin, a relação da Fidelity com ativos digitais vem de longe. Desde 2014, a empresa investe no desenvolvimento de infraestrutura cripto, oferecendo serviços de custódia, negociação, pesquisa e produtos de investimento.

A Fidelity Digital Assets foi criada em 2018 e lançada oficialmente em 2019, com foco em investidores institucionais. Hoje, a empresa oferece suporte 24 horas, custódia segura e integração direta com plataformas de trading.

O grupo como um todo administra cerca de US$ 17,5 trilhões em ativos, sendo US$ 6,8 trilhões sob gestão discricionária, e conta com mais de 78 mil funcionários espalhados pelos Estados Unidos, Irlanda e Índia.

O que esse lançamento representa para o mercado

A entrada da Fidelity no segmento de stablecoins é mais do que um produto novo. Ela simboliza a aproximação definitiva entre finanças tradicionais e blockchain.

Se antes as stablecoins eram vistas como ferramentas de nicho, hoje começam a ocupar um papel central em pagamentos, liquidação de operações e acesso a serviços financeiros digitais. Com o peso institucional da Fidelity por trás do FIDD, cresce a expectativa de maior adoção por empresas, gestores e investidores que ainda observavam o setor com cautela.

Em outras palavras, o dólar digital deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e passou a integrar, oficialmente, o portfólio de uma das maiores casas financeiras do planeta.

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