Operação da PF mira esquema de lavagem com criptomoedas

Investigação aponta uso de criptoativos, dinheiro em espécie e empresas de fachada para movimentar milhões no Brasil e no exterior.

A Polícia Federal cumpriu, na última quarta-feira, 21, mandados judiciais no âmbito de uma investigação que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de criptomoedas e operações financeiras de alto valor.

A operação ocorreu de forma simultânea em diferentes estados, com cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisões temporárias. O foco foi uma organização criminosa estruturada, que já aparecia em investigações anteriores e teria ampliado suas estratégias para driblar mecanismos de controle financeiro.

Como funcionava o esquema investigado

De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava um sistema coordenado para movimentar grandes quantias de dinheiro. Parte dos valores circulava em espécie, outra parte passava por transferências bancárias de alto valor e, em um terceiro nível, entravam em cena os criptoativos.

Na prática, o dinheiro mudava de forma para dificultar o rastreamento. O recurso saía do papel-moeda, entrava no sistema bancário, era convertido em criptomoedas e, em alguns casos, retornava ao mundo físico já com aparência de legalidade. É como se o dinheiro passasse por várias “camadas”, cada uma pensada para confundir quem tenta seguir o caminho dos recursos.

As investigações apontam que o montante movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 39 milhões, envolvendo operações dentro do Brasil e também conexões internacionais.

Criptomoedas no centro da investigação

O uso de criptomoedas aparece como peça-chave do esquema. Embora os criptoativos não sejam ilegais, seu uso indevido em esquemas de lavagem de dinheiro chama a atenção das autoridades. A facilidade de transferência, a velocidade das operações e a atuação em redes globais tornam esse tipo de ativo atraente para organizações criminosas.

Especialistas explicam que a tecnologia blockchain registra todas as transações, mas identificar quem está por trás de cada carteira digital exige trabalho investigativo detalhado, cooperação internacional e análise técnica avançada.

Medidas judiciais e apreensões

Além das prisões temporárias, a Justiça determinou o sequestro de bens e impôs restrições aos investigados. Entre elas, estão limitações para movimentação empresarial e a proibição de transferências de bens móveis e imóveis adquiridos, segundo as apurações, com recursos de origem criminosa.

Durante as ações, a Polícia Federal apreendeu veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos, materiais que agora passam por análise para aprofundar o mapeamento do esquema.

O que pode acontecer com os investigados

As investigações seguem em andamento e os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Caso as suspeitas sejam confirmadas, as penas podem ser elevadas, especialmente pela complexidade do esquema e pelo volume financeiro envolvido.

A imagem que ilustra a operação, com agentes federais avançando em conjunto, simboliza mais do que uma ação pontual. Ela representa o esforço contínuo das autoridades para acompanhar a evolução do crime financeiro, que hoje combina métodos tradicionais e ferramentas digitais cada vez mais sofisticadas.

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