As criptomoedas começam a ganhar espaço também no ambiente escolar. Em Laguna, município localizado no litoral sul de Santa Catarina, uma lei municipal promulgada em janeiro de 2026 autoriza a inclusão opcional da educação financeira nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano. O texto abre caminho para que temas ligados ao dinheiro digital, como criptomoedas e meios de pagamento eletrônicos, façam parte do aprendizado dos alunos da rede pública e privada.
A medida foi promulgada pela Câmara Municipal de Laguna e tem origem em um projeto apresentado em 2025 pelo vereador Rhoomening Souza Rodrigues, conhecido como Pingo, com apoio de Vitor Elibio Oliveira. Ambos são filiados ao MDB. A proposta reflete uma preocupação crescente do Legislativo local em aproximar a escola das transformações do sistema financeiro contemporâneo.
Criptomoedas entram oficialmente no conteúdo previsto
Entre os objetivos listados na legislação está o reconhecimento dos meios de pagamento, incluindo dinheiro, cartões, Pix e criptomoedas. Ao citar explicitamente os ativos digitais, a lei reconhece que o tema já faz parte da realidade cotidiana, especialmente entre jovens que crescem em um ambiente cada vez mais conectado e digital.
Levar esse assunto para a escola não significa incentivar investimentos, mas oferecer base conceitual, explicando como funcionam as criptomoedas, para que servem e quais cuidados envolvem seu uso.
Informação como antídoto contra promessas fáceis
A proposta da educação financeira prevista na lei tem como eixo central o uso consciente do dinheiro. No caso das criptomoedas, isso se traduz em ajudar o estudante a diferenciar inovação de risco, tecnologia de promessa irreal de ganho rápido.
Assim como ocorre com crédito, empréstimos ou financiamentos, o contato inicial com ativos digitais na escola pode contribuir para a formação de um olhar mais crítico, reduzindo a chance de decisões impulsivas no futuro.
Abordagem integrada ao currículo
A legislação não cria uma disciplina exclusiva sobre criptomoedas. O tema poderá ser trabalhado de forma transversal, dentro das matérias já existentes ou em projetos interdisciplinares, conforme definição da Secretaria Municipal de Educação.
Esse formato permite conectar o assunto a conteúdos de matemática, tecnologia, cidadania e economia doméstica, sempre respeitando a faixa etária dos alunos e evitando excessos técnicos.
Capacitação e participação da comunidade
A lei atribui à Secretaria Municipal de Educação a responsabilidade de capacitar professores, definir diretrizes e disponibilizar materiais didáticos adequados. Também há previsão de parcerias com instituições e organizações especializadas, além da realização de palestras, oficinas e eventos com a participação da comunidade escolar.
Esse conjunto de ações busca garantir que temas complexos, como criptomoedas, sejam tratados com responsabilidade e clareza.
Um sinal de adaptação ao mundo digital
Ao incluir criptomoedas no escopo da educação financeira, Laguna dá um passo alinhado às mudanças do sistema financeiro global. Em um cenário em que o dinheiro circula cada vez mais em formato digital, compreender esses novos instrumentos passa a ser parte da formação cidadã.
Mais do que ensinar conceitos técnicos, a iniciativa aposta na informação como ferramenta para preparar jovens a lidar com o presente e o futuro das finanças de forma consciente e responsável.