Semana intensa reforça transformação do mercado de criptomoedas

Crimes em escala global, pressão regulatória, disputas judiciais e movimentos estratégicos mostram como o mercado cripto avança em maturidade enquanto enfrenta novos riscos e desafios estruturais.

O universo das criptomoedas viveu uma semana marcada por contrastes. De um lado, números recordes de crimes financeiros e investigações internacionais escancararam o uso ilícito de ativos digitais. Do outro, debates sobre institucionalização, regulação e adoção mostraram um setor cada vez mais integrado ao sistema financeiro global. O período reforçou que o mercado cripto deixou há tempos a fase experimental e passou a ocupar um espaço central nas discussões econômicas, jurídicas e geopolíticas.

Crimes com criptomoedas batem recorde e atingem R$ 830 bilhões em 2025

O crime envolvendo criptoativos alcançou em 2025 o maior volume já registrado. Dados da Chainalysis indicam que endereços ligados a atividades ilícitas movimentaram cerca de R$ 830 bilhões ao longo do ano, impulsionados pela atuação de organizações cada vez mais profissionais e pela entrada direta de Estados nacionais nesse ecossistema. Stablecoins passaram a dominar essas operações, concentrando a maior parte das transações ilegais, enquanto redes de lavagem, infraestrutura técnica e até crimes físicos ampliaram a complexidade do problema. O criptocrime deixou de ser pontual e assumiu dimensão econômica e geopolítica.

Bitcoin testa resistência psicológica e entra em fase mais institucional

O mercado acompanha de perto a faixa entre US$ 95 mil e US$ 100 mil como um dos principais pontos de decisão para o Bitcoin. Mais do que um número técnico, o patamar reflete expectativas em torno de regulação, cenário macroeconômico e adoção institucional. Avanços regulatórios nos Estados Unidos e a consolidação de ETFs mudaram o perfil do ativo, que hoje responde menos a movimentos puramente especulativos e mais a fatores estruturais. Para 2026, a leitura predominante é de um Bitcoin guiado por macroeconomia, política e institucionalização, com potencial de novas máximas caso esse ambiente se confirme.

Apostas com cripto colocam Stake e Drake no centro de ação judicial nos EUA

Uma ação coletiva nos Estados Unidos acusa a plataforma Stake.us de operar apostas online ilegais por meio de tokens digitais conversíveis em criptomoedas. O processo sustenta que o modelo teria sido criado para contornar leis estaduais e cita o rapper Drake e influenciadores como parte central da estratégia de promoção. Segundo a denúncia, o uso de criptoativos funcionaria como trilho financeiro para apostas com valor real, dificultando fiscalização e ampliando riscos ao consumidor. O caso reacende o debate sobre a fronteira entre entretenimento digital, cripto e jogos de azar.

PF mira lavagem com cripto após prisão de brasileiro na Colômbia

A prisão de um brasileiro na Colômbia expôs como criptomoedas vêm sendo usadas de forma estruturada pelo crime organizado para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. Investigado como integrante do núcleo financeiro de uma facção com atuação no Amazonas, ele teria utilizado ativos digitais, fintechs e empresas de fachada para fragmentar e movimentar recursos ilícitos fora do alcance imediato das autoridades. A operação, viabilizada por cooperação internacional, reforça que a tecnologia blockchain não garante anonimato absoluto e que rastreamento técnico e integração entre países seguem sendo decisivos.

Coinbase pausa operações em pesos e ajusta estratégia na Argentina

Menos de um ano após sua chegada oficial, a Coinbase decidiu suspender temporariamente serviços em pesos argentinos, mantendo ativas as operações com criptomoedas. A empresa afirma que a medida faz parte de uma revisão estratégica para voltar ao país com uma oferta mais sólida e sustentável. O movimento evidencia os desafios de escalar operações em um mercado com alta adoção cripto, mas marcado por instabilidade econômica e regulatória. Apesar da pausa, a exchange reforçou que a Argentina segue sendo estratégica para seus planos na América Latina.

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