Uma das questões que estamos acompanhando no mercado de Bitcoin é a barreira de preço em torno de US$ 95 mil a US$ 100 mil. Esses números redondos funcionam como pontos psicológicos, principalmente para investidores de varejo, e tendem a atuar como zonas de suporte ou resistência. Ultrapassar essas barreiras não garante que o preço vá se manter, mas romper esses patamares pode sinalizar um movimento de aceleração significativo, especialmente se estiver alinhado com fatores macroeconômicos, geopolíticos e regulatórios positivos.
E por conta da Market Clarity Act, que promete trazer clareza não apenas para stablecoins, mas para todo o segmento de criptoativos, temos um cenário promissor para o início do ano. Esse avanço regulatório é um dos fatores mais relevantes para o mercado, porque aumenta a confiança de investidores institucionais e de varejo, e pode definir a trajetória do Bitcoin em 2026. Vale lembrar que no ano passado tivemos o Genius Act, que criou um framework para emissão de stablecoins, abrindo caminho para maior segurança e institucionalização do setor.
O Bitcoin tem se mostrado extremamente volátil, especialmente desde que atingimos a sua máxima histórica em outubro do ano passado. Desde então, o ativo passou por um período de recuo, que no início esteve relacionado a fatores externos como tarifas e tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Mais recentemente, a volatilidade tem sido fortemente influenciada por questões geopolíticas, incluindo a situação envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, além dos exercícios militares chineses próximos a Taiwan.
Além do Bitcoin, algumas altcoins têm se destacado, como a XRP, que tem apresentado desempenho positivo neste ano. Esse movimento está ligado ao processo de institucionalização dos criptoativos, com ETFs de Bitcoin e tesourarias corporativas em criptoativos, inclusive no Brasil. Essa institucionalização é impulsionada por avanços regulatórios concretos, que aumentam a confiança de investidores institucionais e varejo.
Para 2026, a trajetória do Bitcoin será guiada mais por macro, geopolítica e regulamentação do que por movimentos puramente especulativos, como nos primeiros anos do ativo. Com ETFs, maior clareza regulatória e governos pró-cripto, estamos entrando em um viés muito mais institucional, que deve atrair tanto investidores de varejo quanto grandes empresas.
Se os avanços regulatórios se concretizarem e a adoção institucional continuar crescendo, 2026 pode ser um ano muito positivo para o Bitcoin. Empresas como a MicroStrategy, que detêm grandes quantidades de Bitcoin em tesouraria, e players brasileiros, como a Orange BTC, podem impulsionar ainda mais a demanda. Nesse cenário, o Bitcoin poderia romper novas máximas, consolidando não apenas seu próprio crescimento, mas também fortalecendo todo o mercado de criptoativos, com maior participação institucional e confiança do investidor varejo.
Em resumo, vejo que o futuro do Bitcoin em 2026 dependerá da combinação entre barreiras de preço, geopolítica, regulamentação concreta e adoção institucional.
*Análise assinada por Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin.