Stake e Drake viram alvo de ação nos EUA por apostas com criptomoedas e uso de tokens digitais

Processo coletivo acusa a Stake.us de operar apostas online com criptomoedas disfarçadas de jogos sociais e cita Drake e influenciadores na promoção do modelo.

Uma ação coletiva protocolada na Justiça Federal do estado da Virgínia colocou a Stake.us no centro de uma discussão delicada sobre o uso de criptomoedas em plataformas de apostas online nos Estados Unidos. Segundo a denúncia, o site se apresenta como uma plataforma de jogos recreativos, mas, na prática, utiliza tokens digitais conversíveis em criptoativos para viabilizar jogos de azar proibidos pela legislação americana.

No texto da ação, os autores afirmam de forma direta que a plataforma “tenta se esconder atrás da fachada de uma experiência de jogo segura e gratuita, quando na realidade opera como um cassino online ilegal, permitindo apostas com valor monetário real por meio de moedas digitais conversíveis”. A denúncia sustenta que essa estrutura teria sido criada justamente para contornar regras estaduais que proíbem apostas online.

O processo também cita o rapper Drake como uma das figuras públicas ligadas à divulgação da plataforma. De acordo com o documento, o artista teria recebido cerca de 100 milhões de dólares por ano (aproximadamente 537 milhões de reais) para promover a Stake, incluindo participações em transmissões ao vivo nas quais realizava apostas diante de milhões de seguidores. O streamer Adin Ross também é mencionado como parte dessa estratégia de promoção.

Como a Stake teria usado criptomoedas para viabilizar apostas

Segundo a ação, a Stake.us opera com duas moedas virtuais, chamadas de Gold Coins e Stake Cash. As Gold Coins são descritas como moedas sem valor monetário, usadas apenas para entretenimento. Já a Stake Cash pode ser convertida em criptomoedas ou cartões digitais, mantendo paridade com o dólar, na proporção de 1 Stake Cash para 1 dólar.

O documento traz um exemplo concreto para ilustrar o funcionamento do sistema. Ao pagar 20 dólares (cerca de 107,40 reais), o usuário recebe aproximadamente 200 mil Gold Coins, junto com 20,05 dólares em Stake Cash (cerca de 107,67 reais). Para os autores da ação, esse detalhe é central, pois o jogador não compra diretamente o crédito conversível, mas recebe esse valor de forma embutida, o que caracterizaria uma tentativa de driblar as leis sobre jogos de azar.

A denúncia resume esse modelo de forma clara ao afirmar que “o usuário é induzido a acreditar que está apenas adquirindo moedas sem valor real, quando, na verdade, está comprando créditos que podem ser apostados e posteriormente convertidos em criptomoedas com valor financeiro fora da plataforma”.

Criptomoedas como trilho financeiro da operação

O processo sustenta que o uso de criptomoedas não é um detalhe secundário, mas parte central da engrenagem da Stake.us. Ao permitir que ganhos sejam resgatados em criptoativos, a plataforma teria transformado a blockchain em um trilho financeiro para apostas online, dificultando o rastreamento das transações e o controle regulatório.

A ação afirma ainda que a Stake.us oferece um sistema interno de transferências entre usuários, chamado de “Tipping”, descrito no documento como “um mecanismo ilimitado e não regulado de transferência de valor entre contas, operando fora da supervisão de autoridades financeiras”. Um dos exemplos citados é uma gorjeta de 100 mil dólares (aproximadamente 537 mil reais) enviada entre Drake e Adin Ross durante uma transmissão ao vivo em 2023.

O texto também menciona que, poucos dias antes do processo ser protocolado, Drake teria presenteado Adin Ross com um carro avaliado em 220 mil dólares (cerca de 1,18 milhão de reais), apontado pelos autores como mais um exemplo de transferências de alto valor entre os envolvidos.

Drake, influência digital e a normalização das apostas em cripto

Para os autores da ação, a presença de Drake e outros influenciadores digitais ajuda a normalizar o uso de criptomoedas em apostas online. O documento afirma que “as transmissões ao vivo, nas quais celebridades apostam grandes quantias diante de milhões de espectadores, criam a falsa impressão de que se trata de uma atividade segura, comum e financeiramente inofensiva”.

A denúncia também sustenta que, em diversas transmissões, os influenciadores apostavam usando créditos fornecidos pela própria plataforma. Segundo o texto, isso cria uma “ilusão de ganhos fáceis”, já que o público comum precisa usar seu próprio dinheiro para participar, assumindo riscos que não são os mesmos enfrentados pelos promotores do site.

Possíveis impactos para o mercado cripto

Embora o caso ainda esteja em estágio inicial, ele pode gerar efeitos relevantes para o mercado de criptomoedas. Se a Justiça entender que a conversão de tokens digitais em cripto caracteriza apostas com dinheiro real, outras plataformas que utilizam modelos semelhantes podem entrar no radar das autoridades americanas.

A ação reforça um ponto que vem ganhando força nos Estados Unidos, o uso de criptomoedas não elimina obrigações legais nem transforma apostas em simples entretenimento digital. Pelo contrário, pode ampliar riscos ao consumidor quando a tecnologia é usada para contornar regras existentes.

O que está em jogo agora

Os autores do processo pedem indenizações, restituição de valores perdidos pelos usuários, aplicação de multas e uma ordem judicial para impedir que a Stake.us continue operando nos moldes atuais. A empresa, Drake e os demais citados ainda poderão apresentar defesa e contestar as acusações.

Independentemente do desfecho, o caso já coloca em foco a relação entre criptomoedas, apostas online e influência digital, mostrando como tecnologia, entretenimento e dinheiro real podem se misturar de forma pouco transparente no ambiente digital.

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