Golpe que se passava por suporte da Coinbase leva morador do Brooklyn à acusação por fraude milionária

Promotoria de Nova York acusa jovem de se passar por funcionário da Coinbase, enganar cerca de 100 vítimas em todo o país e movimentar quase US$ 16 milhões em um esquema sofisticado de phishing.

Um golpe bem ensaiado, baseado em medo, urgência e falsa autoridade, está no centro de uma nova acusação criminal nos Estados Unidos. A promotoria do Brooklyn denunciou um homem de 23 anos acusado de liderar um esquema que teria desviado quase US$ 16 milhões (aproximadamente R$ 88,5 milhões) de usuários da Coinbase, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo.

Segundo as autoridades, o suspeito se apresentava como funcionário da plataforma e entrava em contato com as vítimas por telefone, mensagens de texto e e-mails. O discurso seguia um padrão, havia uma tentativa de invasão em andamento, a conta estaria comprometida e o dinheiro precisava ser transferido imediatamente para uma nova carteira considerada segura. Essa carteira, porém, estava sob controle do próprio golpista.

Um golpe que explorava medo e pressa

O método utilizado é conhecido como engenharia social, uma prática em que o criminoso manipula emoções para induzir decisões rápidas. Na prática, é como receber uma ligação urgente do banco informando que sua conta foi invadida e pedindo uma ação imediata para evitar perdas maiores.

No caso investigado, as vítimas acreditavam estar falando com representantes legítimos da Coinbase. Algumas receberam mensagens falsas de autenticação em dois fatores supostamente enviadas pela própria exchange ou por empresas conhecidas, como o Google. Outras foram direcionadas a sites que imitavam com precisão páginas oficiais da plataforma.

Convencidas de que estavam protegendo seus ativos, as vítimas transferiam voluntariamente grandes quantias.

Vítimas em todo o país e perdas milionárias

As investigações apontam que as vítimas estavam espalhadas por diversos estados dos Estados Unidos. Um morador da Califórnia relatou prejuízo superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões). Na Virgínia, outro usuário afirmou ter perdido mais de US$ 900 mil (aproximadamente R$ 5 milhões).

Há relatos ainda mais detalhados. Um homem da Pensilvânia contou ter recebido, em setembro de 2024, uma ligação de alguém que se identificou como “Fred Wilson”, suposto integrante da equipe de segurança da Coinbase. Pouco antes da ligação, ele havia recebido mensagens falsas de autenticação em dois fatores, o que reforçou a sensação de que sua conta havia sido invadida. O prejuízo foi de cerca de US$ 53.150 (aproximadamente R$ 294 mil) em criptomoedas.

Em outro caso, uma mulher de Maryland recebeu chamadas e e-mails alertando que sua carteira havia sido comprometida. Ao verificar sua conta, descobriu que cerca de US$ 38.750 (aproximadamente R$ 214 mil) haviam sido transferidos. Ela também recebeu mensagens de alguém que se apresentou como “James Wilson”, alegando ser funcionário da Coinbase.

O caminho do dinheiro após o roubo

Depois de receber os valores, o acusado teria adotado uma estratégia comum em crimes digitais, fragmentar os recursos para dificultar o rastreamento. As criptomoedas eram trocadas várias vezes entre plataformas diferentes, convertidas em outros ativos digitais, usadas em apostas online e, em alguns casos, transformadas em dinheiro ou cartões-presente.

De acordo com a promotoria, mais de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,8 milhões) já foram recuperados. Durante a investigação, as autoridades também apreenderam cerca de US$ 105 mil em dinheiro (R$ 581 mil) e aproximadamente US$ 400 mil em criptomoedas (R$ 2,2 milhões) ligados ao esquema.

Como a análise de blockchain ajudou a investigação

Apesar da percepção comum de anonimato, transações em blockchain ficam registradas publicamente. Funcionam como um grande livro contábil digital, onde cada movimentação deixa rastros. O desafio das autoridades é ligar esses registros a pessoas reais.

Segundo os investigadores, análises de blockchain, dados de internet, perícia digital e mandados de busca permitiram associar múltiplas carteiras a um mesmo endereço físico. Mensagens recuperadas em aplicativos criptografados e fóruns online também indicariam que o suspeito se gabava dos golpes e buscava recrutar outras pessoas para atuar como intermediárias.

O que dizem a promotoria e a Coinbase

O promotor do Brooklyn afirmou que o caso mostra como crimes financeiros evoluíram, combinando tecnologia avançada com manipulação psicológica. Segundo ele, o objetivo é impedir que a região se torne um polo de fraudes envolvendo ativos digitais e garantir apoio às vítimas.

A Coinbase informou que colaborou ativamente com a investigação, ajudando a identificar o suspeito, fornecer evidências e rastrear parte dos recursos desviados. A promotoria também agradeceu o apoio da empresa de análise blockchain Flashpoint.

A exchange reforçou que nunca entra em contato com clientes solicitando transferências para carteiras externas como medida de segurança.

Orientações para evitar golpes de phishing

Diante do caso, as autoridades reforçaram alguns cuidados básicos para usuários de criptomoedas. A Coinbase e outras empresas legítimas não entram em contato pedindo transferências para uma suposta “carteira segura” por telefone ou mensagem. Também é importante desconfiar de identificadores de chamadas, nomes de remetentes ou domínios parecidos com os oficiais, já que esses elementos podem ser facilmente falsificados.

Outro ponto central é buscar atendimento apenas pelos canais oficiais dentro dos próprios aplicativos das plataformas. Mensagens que apelam para urgência e pressão devem acender um sinal de alerta. A recomendação é desacelerar, verificar informações de forma independente e evitar movimentações financeiras precipitadas. Sempre que possível, o uso de autenticação em dois fatores e chaves de segurança ajuda a reduzir significativamente o risco de fraudes.

Enquanto o processo judicial segue, o caso deixa um alerta claro. Em um mercado que cresce rápido e atrai cada vez mais usuários, informação, calma e verificação independente continuam sendo as melhores defesas contra golpes cada vez mais sofisticados.

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