A semana no mercado cripto foi marcada por sinais claros de amadurecimento. Relatórios apontaram mudanças estruturais no comportamento do Bitcoin, blockchains passaram por testes extremos de segurança, o setor público brasileiro avançou no uso de tecnologia e reguladores internacionais reforçaram o cerco sobre ativos digitais.
A seguir, os principais destaques.
Bitcoin pode romper o ciclo histórico e entrar em uma nova fase em 2026
Um relatório da gestora Bitwise trouxe uma leitura otimista e estrutural sobre o futuro do Bitcoin. Segundo a análise, o ativo caminha para romper o tradicional ciclo de quatro anos, padrão que guiou o mercado por mais de uma década, e pode entrar em 2026 sem a correção profunda típica de ciclos anteriores.
A gestora aponta três vetores centrais para essa mudança: a redução do impacto econômico dos halvings, a queda consistente da volatilidade e a diminuição da correlação com o mercado de ações. Com a entrada gradual de capital institucional e instrumentos regulados, o Bitcoin passa a responder mais a estratégias de longo prazo do que a movimentos especulativos de curto prazo.
Na prática, o maior criptoativo do mundo começa a assumir um papel mais maduro dentro dos portfólios, menos dependente de ciclos extremos e mais próximo de ativos consolidados, ainda volátil, mas com comportamento mais previsível.
Solana resiste a um dos maiores ataques DDoS já registrados na internet
A rede Solana enfrentou um dos maiores ataques DDoS da história, com tráfego próximo de 6 terabits por segundo, e seguiu operando sem impactos relevantes para usuários e aplicações. As confirmações de transações permaneceram abaixo de um segundo, e a produção de blocos seguiu estável.
O episódio colocou a blockchain no mesmo ranking de ataques que já atingiram gigantes como Google, AWS e Cloudflare. Em termos práticos, funcionou como um teste de estresse real, mostrando a capacidade da infraestrutura de absorver cargas extremas sem colapsar.
A comparação com a rede Sui, que sofreu degradação sob ataque semelhante, reforçou um ponto central do debate atual: escalabilidade e segurança só se comprovam quando a rede é colocada sob pressão real.
TCE-SP usa blockchain em leilão público e inaugura novo padrão de transparência
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo anunciou que realizará o leilão de dez galpões com toda a documentação registrada em blockchain. A iniciativa torna o TCE-SP o primeiro órgão público do país a usar a tecnologia para garantir integridade, autenticidade e rastreabilidade completa dos documentos do processo.
Editais, laudos, fotos e eventuais retificações passam a ter um registro imutável, criando um histórico verificável e reduzindo espaço para fraudes e disputas judiciais. Qualquer alteração fica automaticamente registrada.
O projeto representa um avanço simbólico na modernização da administração pública, transferindo a confiança de declarações formais para registros técnicos verificáveis.
Memecoins e IA dominam a atenção do mercado cripto em 2025
Um estudo da CoinGecko mostrou que quase metade do interesse global em narrativas cripto em 2025 se concentrou em dois temas: memecoins e inteligência artificial. Juntas, essas categorias responderam por cerca de 46% da atenção dos investidores.
As memecoins mantiveram a liderança pelo segundo ano consecutivo, impulsionadas por viralização e apelo emocional. Já a IA se consolidou como narrativa estrutural, especialmente com o crescimento de agentes autônomos integrados a blockchains, capazes de executar tarefas e reduzir custos operacionais.
Por outro lado, temas como tokenização de ativos reais perderam espaço, refletindo um mercado mais seletivo e fragmentado, onde a atenção se tornou um dos recursos mais disputados do ecossistema.
Reino Unido apresenta projeto de lei para regular criptomoedas
O governo britânico anunciou um projeto de lei que coloca empresas cripto sob regras semelhantes às do sistema financeiro tradicional. A supervisão ficará a cargo da Financial Conduct Authority (FCA), com foco em transparência, proteção ao consumidor e estabilidade operacional.
A proposta surge em resposta ao crescimento acelerado do mercado, que já alcança cerca de 12% da população adulta do país. O objetivo é reduzir fraudes e práticas abusivas sem sufocar a inovação.
O Reino Unido também reforçou a cooperação com os Estados Unidos para alinhar regulações e criar ambientes de teste supervisionados. O recado é claro: o país quer se consolidar como polo global de ativos digitais, mas com regras firmes como base para o crescimento.