A forma como os americanos compram, pagam e até escolhem presentes de fim de ano está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda. Um novo levantamento da Visa revela que tecnologias como inteligência artificial e criptomoedas deixaram de ser tendência de nicho e começam a fazer parte da rotina de consumo, especialmente entre os mais jovens.
Divulgada em dezembro de 2025, a pesquisa indica que quase metade dos consumidores nos Estados Unidos já utilizou alguma ferramenta de IA para apoiar decisões de compra. Ao mesmo tempo, cresce a aceitação das moedas digitais como forma legítima de presente, um sinal claro de mudança geracional no comportamento financeiro.
IA entra de vez no processo de compra
O estudo mostra que 47% dos entrevistados recorreram à inteligência artificial para pelo menos uma etapa das compras de fim de ano. O uso mais comum é a busca por ideias de presentes, uma tarefa que costuma gerar dúvida e consumir tempo. Na prática, a IA funciona como um vendedor digital, capaz de sugerir opções com base em preferências, orçamento e histórico de consumo.
Outro ponto de destaque é a comparação de preços automatizada, citada como a aplicação mais atraente dentro do chamado comércio orientado por agentes, no qual sistemas inteligentes tomam decisões práticas em nome do consumidor. Esse tipo de recurso reforça a percepção de que a tecnologia não apenas inspira compras, mas também ajuda a economizar.
Criptomoedas ganham espaço como presente
A pesquisa também revela uma mudança relevante na percepção sobre ativos digitais. Mais de um em cada quatro consumidores afirma que ficaria animado ao receber criptomoedas como presente. Entre integrantes da geração Z, esse percentual sobe para 45%, indicando uma naturalização do tema entre quem já cresceu em um ambiente digital.
Quando o olhar se volta para o futuro, as expectativas seguem elevadas. Cerca de 10% dos entrevistados acreditam que as stablecoins, moedas digitais atreladas a ativos estáveis como o dólar, podem dominar o mercado até 2030. Outros 28% esperam um aumento significativo no uso dessas moedas até 2035, sinalizando confiança gradual nesse tipo de instrumento.
Geração Z puxa o consumo digital
Os dados reforçam o papel da geração Z como principal vetor de mudança no varejo e nos meios de pagamento. Segundo o levantamento, jovens desse grupo são mais propensos a usar autenticação biométrica, comprar produtos de outros países, realizar compras em redes sociais e pagar com criptomoedas, sempre em percentuais superiores aos de outras faixas etárias.
O comportamento também se reflete na preferência por carteiras digitais. Embora cartões físicos ainda sejam populares, a diferença já é mínima entre os mais jovens, com praticamente o mesmo número de consumidores preferindo carteiras digitais e cartões tradicionais. A tendência aponta para um equilíbrio que pode se inverter nos próximos anos.
Tecnologia avança, mas confiança segue central
Apesar do entusiasmo com novas ferramentas, os consumidores deixam claro que a confiança continua sendo um fator decisivo. A pesquisa mostra que 61% ainda preferem atendimento humano ao lidar com problemas ou dúvidas, mesmo em um ambiente cada vez mais automatizado. Além disso, 60% querem entender melhor como ferramentas de IA utilizam seus dados pessoais.
A preocupação com golpes também aparece com força. Dois terços dos entrevistados temem que amigos ou familiares sejam vítimas de fraudes online durante o período de compras, e quase 40% afirmam já ter enfrentado alguma tentativa de golpe no último ano. Esses números reforçam a importância de segurança e transparência como pilares para a adoção tecnológica.
Consumo resiliente e festas antecipadas
Mesmo diante de incertezas econômicas, o clima de consumo permanece aquecido. Mais de um quarto dos consumidores iniciou as compras de fim de ano antes de novembro, e a Visa projeta um crescimento de 4,6% nos gastos totais durante a temporada de festas nos Estados Unidos.
O levantamento foi realizado pela Morning Consult, a pedido da Visa, com mil adultos norte-americanos entrevistados em outubro de 2025. Os dados ajudam a desenhar um cenário em que tecnologia, conveniência e novas formas de pagamento caminham juntas, mas ainda dependem de confiança e clareza para se consolidar de vez no dia a dia do consumidor.