Brasil avança no ranking global de criptomoedas

País aparece entre os líderes em adoção cripto, com destaque para pagamentos e stablecoins.

O Brasil consolidou sua posição entre os países com maior adoção de criptomoedas em 2025. O país ocupa a quinta colocação global em um índice que mede o uso de ativos digitais em relação ao tamanho da economia, ficando à frente de mercados tradicionais como Japão e Reino Unido.

O dado chama atenção porque mostra que o avanço das criptomoedas no Brasil não está ligado apenas à especulação. Cada vez mais, esses ativos vêm sendo usados no dia a dia, especialmente para pagamentos, transferências internacionais e como alternativa de proteção financeira em um cenário econômico marcado por juros altos e volatilidade cambial.

Um ranking que vai além do volume financeiro

O índice que mede a adoção cripto não considera apenas o volume bruto de transações. A metodologia cruza dados de movimentações em blockchain, tráfego em plataformas digitais e indicadores econômicos, como renda per capita ajustada pelo poder de compra. Na prática, isso permite avaliar o peso real das criptomoedas dentro de cada economia.

Por esse critério, países emergentes ganham destaque. Índia lidera o ranking global, seguida pelos Estados Unidos. Logo atrás aparecem Paquistão, Filipinas e Brasil, formando um grupo onde a adoção cripto está fortemente ligada a necessidades práticas, e não apenas a investimentos de alto risco.

Stablecoins ganham espaço no cotidiano financeiro

Um dos principais motores desse crescimento é o uso de stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, como o dólar. Em 2025, esses ativos já representam 30% de todo o volume global de transações cripto, atingindo o maior patamar da história.

Entre janeiro e julho, o volume anual de transações com stablecoins ultrapassou US$ 4 trilhões, um crescimento expressivo em relação ao ano anterior. O motivo é simples. Stablecoins oferecem previsibilidade de preço, rapidez nas transferências e custos mais baixos do que os sistemas financeiros tradicionais.

No Brasil, elas vêm sendo usadas como uma espécie de “dólar digital”. Funcionam para remessas internacionais, pagamentos entre pessoas e até como reserva temporária de valor, sem a necessidade de abrir contas no exterior ou lidar com burocracias bancárias.

Uso cresce mesmo onde há restrições

Outro ponto relevante é que a adoção de criptomoedas continua avançando mesmo em países com restrições legais. Regiões do Norte da África, por exemplo, aparecem bem posicionadas em rankings globais, apesar de proibições formais ao uso desses ativos.

Isso indica que barreiras rígidas tendem a empurrar a atividade para canais informais, como negociações diretas entre pessoas, em vez de eliminar a demanda. A busca por alternativas financeiras segue existindo, especialmente em contextos de instabilidade econômica.

Atividade majoritariamente lícita, mas com desafios

Apesar do crescimento acelerado, a maior parte da atividade com stablecoins é considerada lícita. Ainda assim, esses ativos também aparecem em operações ilegais, principalmente por serem rápidos, baratos e amplamente disponíveis.

Ao mesmo tempo, há sinais de melhora nos mecanismos de monitoramento e rastreamento, o que tem reduzido o uso de stablecoins para práticas como evasão de sanções internacionais.

Criptomoedas deixam a margem e entram na rotina

O avanço do Brasil no ranking global simboliza uma mudança mais ampla. Em 2025, as criptomoedas deixaram de ser um tema restrito a nichos tecnológicos e passaram a ocupar um espaço concreto na rotina financeira de milhões de pessoas.

Com o crescimento liderado por usuários comuns, o fortalecimento das stablecoins e uma infraestrutura cada vez mais acessível, o mercado cripto segue se integrando ao sistema financeiro real. No caso brasileiro, esse movimento reflete menos entusiasmo passageiro e mais uma busca por soluções práticas em um cenário econômico desafiador.

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