PF investiga lavagem com criptomoedas após prisão de brasileiro na Colômbia

Investigado usava ativos digitais, fintechs e empresas de fachada para lavar dinheiro de facção com atuação no Amazonas.

A prisão de um brasileiro na Colômbia, apontado como integrante do núcleo financeiro de uma organização criminosa investigada no Amazonas, lança luz sobre um ponto cada vez mais sensível no combate ao crime organizado, o uso de criptomoedas como ferramenta para lavar dinheiro e ocultar patrimônio ilícito.

A captura ocorreu no início de janeiro, no contexto de uma investigação conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas, a FICCO/AM. O investigado é suspeito de ter estruturado parte do esquema financeiro da organização a partir do exterior, utilizando ativos digitais, fintechs e empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos recursos.

Segundo as autoridades, ele estava fora do Brasil há mais de um ano, período em que teria adotado identidades falsas e recorrido a procedimentos estéticos para evitar identificação. Mesmo assim, acabou localizado e preso com apoio das autoridades colombianas e da Interpol.

Criptomoedas como peça-chave do esquema

As investigações apontam que o uso de criptomoedas não era pontual, mas parte central da estratégia de lavagem de dinheiro. O esquema combinava empresas formalmente registradas no setor de marketing, sem atividade econômica real, com transações em ativos digitais, criando múltiplas camadas para esconder a origem dos valores.

Na prática, funcionava como um quebra-cabeça financeiro. O dinheiro ilícito entrava no sistema por meio das empresas de fachada, era fragmentado em operações digitais e, em seguida, movimentado por plataformas financeiras modernas, muitas vezes fora do alcance imediato das autoridades brasileiras. Esse modelo torna o rastreamento mais complexo e exige cooperação internacional e análise especializada.

Por que o crime organizado aposta em ativos digitais

O caso reflete uma tendência já observada em outras investigações no Brasil e no exterior. Criptomoedas oferecem rapidez, alcance global e, quando mal utilizadas, a falsa sensação de anonimato. Para organizações criminosas, isso representa uma alternativa aos métodos tradicionais de lavagem de dinheiro, como contas bancárias em nome de laranjas ou transporte físico de valores.

No entanto, especialistas e autoridades têm reforçado que esse anonimato não é absoluto. Transações em blockchain deixam registros permanentes, e, com ferramentas adequadas e troca de informações entre países, é possível reconstruir o caminho do dinheiro, mesmo quando ele passa por ativos digitais.

Cooperação internacional foi decisiva

A prisão do investigado só foi possível graças à cooperação entre a Polícia Federal brasileira, autoridades colombianas e a Interpol, por meio de uma Difusão Vermelha. Esse tipo de articulação tem se mostrado essencial em casos que envolvem criptomoedas, já que as transações frequentemente cruzam fronteiras em questão de segundos.

Após a formalização da prisão, o Brasil deve apresentar pedido de extradição para que o investigado responda pelos crimes apurados em território nacional. O processo ainda depende de trâmites legais, mas é considerado um passo importante dentro da investigação.

Um alerta para o futuro do combate ao crime financeiro

Mais do que um caso isolado, a prisão evidencia como o crime organizado vem se adaptando às novas tecnologias financeiras. O uso de criptomoedas e fintechs amplia o desafio para as autoridades, mas também reforça a necessidade de atualização constante das estratégias de investigação.

Para a FICCO/AM, atingir o núcleo financeiro da organização representa enfraquecer sua capacidade de atuação. No fim das contas, independentemente da tecnologia usada, o dinheiro continua sendo o elo vital dessas estruturas, e é justamente aí que as forças de segurança buscam concentrar seus esforços.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Explore notícias por tema: