Semana movimentada no mundo cripto: novas regras do BC, avanços no Drex e tensão geopolítica com o Bitcoin

Regulação, inovação e disputas internacionais marcaram os últimos dias no mercado global de criptomoedas.

O universo cripto encerra mais uma semana de fortes movimentos. No Brasil, o Banco Central deu um passo histórico ao regulamentar oficialmente o funcionamento das SPSAVs, enquanto reafirmou a continuidade do Drex, o projeto de moeda digital do real.

Lá fora, a China e os Estados Unidos travaram um novo embate envolvendo R$ 69 bilhões em Bitcoin, e a Europa endureceu a fiscalização sobre anúncios e publicidade cripto. Para completar, a CNN Brasil anunciou o primeiro programa semanal de TV dedicado ao setor.

As notícias refletem um cenário em transformação: o mercado de criptoativos está deixando o improviso para trás e ingressando em uma fase de institucionalização e supervisão global.

Banco Central estabelece regras definitivas para as SPSAVs

O Banco Central do Brasil publicou nesta segunda-feira, 10, três resoluções que consolidam o marco regulatório das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), empresas responsáveis por custodiar, intermediar e negociar criptomoedas no país.

As normas (Resoluções nº 519, 520 e 521) definem critérios de autorização, governança, segurança cibernética, segregação patrimonial e transparência, além de integrar o mercado cripto ao sistema financeiro e cambial brasileiro.

Pela primeira vez, o setor passa a ter regras claras de operação e auditoria, com foco em proteger o investidor e reduzir riscos de mercado.
A medida torna o Brasil uma das jurisdições com regulação mais moderna e abrangente do mundo, abrindo espaço para stablecoins institucionais, tokenização de ativos e soluções híbridas entre bancos e fintechs.

BC reafirma continuidade do Drex e confirma meta de moeda digital própria

Após especulações sobre o possível encerramento do projeto, o Banco Central confirmou que o Drex — a versão digital do real — segue ativo e estratégico.

A interrupção recente da plataforma blockchain, segundo o BC, é temporária e visa otimizar a infraestrutura para uma nova fase voltada à tokenização de ativos e uso de garantias digitais em operações de crédito.

A chamada “fase 3”, prevista para 2026, estudará modelos que conciliem privacidade, rastreabilidade e integração bancária.

O Banco Central reforçou que a criação de uma moeda digital própria de liquidação segue como objetivo final do projeto, mantendo o Brasil entre os países líderes na digitalização financeira.

CNN Brasil lança “Cripto na Real”, novo programa semanal sobre o setor

A CNN Brasil anunciou o lançamento do programa “Cripto na Real”, que estreia no dia 18 de novembro dentro do CNN Money.

Apresentado por Gabriel Monteiro, o programa será exibido todas as terças-feiras às 19h, abordando temas como blockchain, regulação, inovação e segurança digital.

Com reportagens especiais e entrevistas com especialistas, a iniciativa marca a primeira produção fixa da TV brasileira dedicada ao universo das criptomoedas, aproximando o público das transformações que estão moldando o sistema financeiro global.

X é multado em R$ 30,8 milhões por falhas em anúncios de criptomoedas

A Comissão Nacional do Mercado de Valores da Espanha (CNMV) aplicou uma multa de €5 milhões (R$ 30,8 milhões) ao X (antigo Twitter) por permitir anúncios da Quantum AI, empresa que promovia investimentos em criptoativos sem autorização regulatória.

A decisão reforça a pressão sobre plataformas digitais que veiculam publicidade financeira.

Com o avanço das regras do MiCA na União Europeia, empresas de tecnologia devem responder por anúncios que possam induzir investidores ao erro ou facilitar fraudes.

O caso é um alerta para o setor: a falta de filtros adequados pode custar caro em um ambiente cada vez mais regulado.

China acusa EUA de se apropriar de R$ 69 bilhões em Bitcoin

A tensão entre China e Estados Unidos chegou ao universo das criptomoedas.

O governo chinês acusou o Departamento de Justiça dos EUA de confiscar 127 mil bitcoins, avaliados em cerca de US$ 13 bilhões (R$ 69 bilhões), que teriam sido roubados da mineradora chinesa LuBian em 2020.

Pequim alega que os fundos apreendidos, divulgados pelos EUA como resultado da maior operação de combate ao crime cibernético da história, pertenciam originalmente a empresas chinesas.

O episódio reacende o debate sobre soberania digital e jurisdição em ativos descentralizados, mostrando como o Bitcoin, criado para escapar do controle estatal, se tornou centro de uma disputa geopolítica bilionária.

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